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Kurt Stoeterau vivencia e analisa o vôo de parapente com apenas um tirante
 

Para prestar um serviço à comunidade do vôo livre, o Kurt Stoeterau, aproveitando o vôo sobre um lago, criou uma situação de vôo com apenas um dos tirantes para ver como o parapente voaria, caso houvesse a quebra de um dos mosquetões. O resutado foi muito interessante.

Veja o que ele nos conta:

Primeiramente desconectei o tirante direito do mosquetão e continuei segurando-o, voando com ele na mão. Lentamente fui levantando o tirante para ver como o parapente se comportaria. Este iniciou uma suave curva para a esquerda. Isso mesmo, o parapente fez uma curva suave para o lado conectado. Pensei que talvez estivesse me apoiando (deslocando o peso do corpo para o lado bom), então me apoiei mais no tirante solto. Mesmo assim o parapente continuava a curva para esquerda (o tirante solto estava cerca de dois palmos mais alto do que o mosquetão). Quando eu retornava o tirante para a altura do mosquetão a curva parava.

Depois soltei de vez o tirante. O parapente continuou voando normalmente, acelerou sensivelmente (foi para uns 50km/h) até que iniciou uma curva cada vez mais fechada para o lado bom. O outro lado virou um monte de pano a se debater como um lençol no varal ao sabor de um vento forte.

O meu corpo estava completamente tombado. Esse tombamento não se compara ao de um tombamento lateral devido a um colapso assimétrico. A sensação foi muito estranha. Como se não bastasse essa estranheza, o meu corpo começou a twistar o tirante aberto, o corpo começou a querer girar. Tentei impedir o twist me apoiando com a outra mão no tirante, mas a situação era muito, muito esquisita. A minha mão direita só alcançava a base do tirante, o que não foi suficiente para impedir o twist. O twist não continuou porque o vento relativo (forte àquela hora) manteve o meu corpo alinhado com menor arrasto possível (natureza aerodinâmica).

Atuar mais, ou menos, o único freio existente não alterava em nada a trajetória de curva, só alterava a velocidade. Freei até beliscar o estol "do pequeno velame", mas a retomada de velocidade só aumentou o giro, que agora ameaçava uma espiral positiva para o lado aberto.

Fiz o possível para manter o controle da direção, pois a idéia inicial era tentar pousar em terra firme, mas o giro ficou cada vez pronunciado. A coisa terminou no "game over" do reserva.

Depois conclui que o giro para o lado bom do parapente, naturalmente, se deveu ao fato de eu ter um parapente assimétrico sobre minha cabeça. A área do lado direito foi maior do que a área da ponta esquerda. Isso sem contarmos as diferenças de corda e altura de perfil entre os lados do "novo parapente". Significou que o lado direito gerou mais sustentação do que o esquerdo = curva para esquerda.

Isso difere muito de quando o parapente sofre um colapso assimétrico, já que (explicação mais plausível) o lado fechado causa muito arrasto, ou seja, prevalece o arrasto, que caba por gerar um giro para o lado fechado. Com o mosquetão desconectado o arrasto foi muito menor, e prevaleceu a diferença de sustentação.

Foi muito interessante e divertido porque foi sobre a água.

 
   
     
 

Kurt Stoeterau é dos mais experiente e renomado, piloto e instrutor de vôo livre da atualidade.

É autor do livro Voando com Ciência Voando com Consciência que já está na sua segunda edição.

Como autor e instrutor é reverenciado, tanto no Brasil como no exterior.