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Danuza Bueno

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Danuza Bueno
      

 

A Danuza mora de segunda à sexta em Curitiba e sábado e domingo em alguma rampa que esteja dando vôo. Tem 26 anos e começou a voar em 1.998.

Sempre foi fascinada por altura e esportes aéreos e achava o máximo as pessoas que podiam voar de asa delta e para-quédas. O parapente foi o caminho mais curto para realizar seu sonho de ícaro, voar. Observava sempre o pessoal voando na praia e achava que ia ser tranqüilo aprender pois era um mochilinha que iria colocar nas costas e alçar vôo.

A Danuza é uma amiga e frequentadora da pousada e respondeu algumas perguntas para nós.
 

Como você se tente num esporte predominantemente masculino?
Antigamente, nossa como eu sou velha, de vôo é claro, a galera achava o máximo uma mulher voar, pois na época no Brasil todo havia apenas umas 20 voadoras, os meninos até ajudavam a carregar a mochila, hoje como tem bastante mulher voando o espírito machista perdura, "Você não é mulher, você é piloto e, portanto, carregue sua mochila". Não é que eles também estão certos!

Como mulher, você encontra mais facilidades ou dificuldades no esporte. Você acha que os colegas sentem ciúmes quando uma mulher voa melhor que eles?
Alguns poucos sem dúvida sentem, o que eu mais escuto em algumas rampas é "Se até ela voa" ou "Se até ela decolou nessa condição". Fico muito irritada com esse tipo de comentário, pois o fato de eu ser mulher não me impossibilita de voar como os homens vôoam, mais isso não me incomoda muito, adoro tirar foto do extradorso das velas dos meninos.

Por ser mulher você sente mais medo que os homens, em função de pousar em locais longe e roubadas?
Sem dúvida sinto, pois afinal de contas sou mulher, muitas vezes olho a roubada e digo, eu vou, mas rezando para achar alguma térmica ou algo que me tire dali rápido e me leve alto para que eu possa escolher pousos melhores. O problema não é andar com o paraca nas costas, é saber o que vai encontrar no caminho, ser assaltada, ou encontrar bichos peçonhentos e por aí vai. O bom em ser mulher é poder dizer EU ESTOU COM MEDO, e ninguém fazer piada com você, pois o grande problema dos homens é não admitir o seu medo.

Fale qual a importância do esporte em sua vida
Vôo é um estado de espírito para mim. Se eu voei no final de semana tudo fica bem, se eu não voei alguma coisa fica faltando. É uma filosofia de vida. Preciso estar alguns minutos suspensa no céu apenas com minhas lindas asas vermelhas sentindo o vento no rosto e o sabor das nuvens, isso me revigora e me deixa leve e tranqüila. É o único momento em que todos os problemas do cotidiano passam a ser irrelevantes.

Você já pilotou muitos equipamentos?
Vixi! Vamos aos Pterogliders, Brisair Ailes de K, Classic Fun Gliders, Mustang da Edel, Phocus, Vertex, Neon, Octane e agora o Zoom da Gin.

Como foi sua evolução no vôo.
Bom, comecei a voar muito cedo, ainda era menor de idade, e tive uma instrução muito deficiente em alguns aspectos. O esporte era muito novo, e então, era tudo muito no erro e no acerto. Somos sobreviventes daquela época, pois fazíamos barberagens horríveis e saíamos ilesos, claro que nem todo mundo tinha a mesma sorte.
Porém comecei a evoluir mesmo, quando comecei a voar fora do Paraná, já que nem sempre rola condição de vôo aqui. Comecei a competir e conheci várias pessoas que contribuiram muito com o meu aprendizado no vôo, dentre elas o Bafinho, Frank, André, Moka e Sivuca que literalmente me adotaram e me ensinaram muitas coisas, tive muita sorte pois, afinal de contas, eu estava aprendendo com os melhores do país.

Quais são os vôos de sua preferência?
Eu curto muito o vôo de cross, se bem que faz tempo que não faço um decente. Adoro voar em Minas, curto também fazer um liftão pra relaxar.

Já participou de competições?
Não sei se vou lembrar de todas, mais minha primeira competição foi em Araxá acredito que em 2000. Com muita sorte, voando de Phocus, fiquei em 1º no feminino e em 5º, no serial, competindo com os meninos. Para mim esse 5º lugar teve um sabor muito maior que o 1º.
As competições foram: Todos os CBPs de 2000, 2001, 2002, 2003, as cidades normalmente eram sempre as mesmas, Cambuquira, Valadares, Araxá, Leopoldina, Baixo Guandú, Sete Lagoas. Todos os Campeonatos Brasileiros de 2000 à 2003, Andradas, Valadares, Cambuquira e os Campeonatos Paranaense e Sul Brasileiro.

Quais os locais que gosta de voar?
Cambuquira, meu templo, Valadares, a Meca e Palo Buque, no Chile, meu Paraíso.

O mais você gosta no vôo livre?
Acredito que conhecer lugares maravilhosos que só conheceríamos voando e fazer amigos no mundo inteiro.

Como seus amigos e familiares encaram o esporte.
Minha mãe acompanhou todas as minhas aulas práticas de vôo. No dia da minha formatura não quis ver. Foi ver meu segundo vôo, e segundo quem estava no pouso, tremia mais do que vara verde. Mas ela sempre me apoiou e sempre curtiu que eu voasse.
Meu maridão voa também, então não temos stress do tipo "adivinha para onde vamos no final de semana?". Para a rampa é claro! O único problema é o resgate, pois como nós dois voamos os dois ficam na roubada e a pé.

Quais são seus planos para o esporte?
Troquei de equipamento faz pouco tempo, troquei meu amado e imprevisível Octane pelo meu estável Zoom. Não sei se pretendo voltar a competir. Competi muito tempo da minha vida de voadora, e me cobrava muito, o que acaba tirando da nostalgia do vôo. Muitas vezes perdia um belo vôo, só para voar contra vento e andar míseros 3km rumo a um pilão. Competição exige tempo, treino e, sem dúvida, dinheiro, pois praticamos um esporte caro e todas as rampas legais de vôo estão no mínimo a 600 km de Curitiba e, para treinar, é duro sair na sexta e voltar no domingo. Fiz isso durante 3 anos, não me arrependo, mais infelizmente hoje já não tenho tanto tempo disponível para me dedicar ao esporte.

Acabei de sair da temível "síndrome do piloto intermediário", fiquei um ano morrendo de medo de voar sem motivos aparentes, sabia que eu conseguia voar bem, em qualquer condição, que eu conhecia cada centímetro da minha vela, afinal foram dois SIVs bem proveitosos com ela,
e mesmo assim estava na "Nóia" com o vôo. Hoje, troquei de equipamento, estou voando com uma senhora vela, ótima em performance, estabilidade e segurança e estou retomando minha confiança e meu tesão no vôo. Fiz outro SIV com o Pablo Lopez, o qual, literalmente, mudou a minha maneira de enxergar as nuances do vôo e a dar valor para as coisas simples do vôo.

De objetivos e metas quero conhecer os principais points de vôo da Europa, e voltar para o Chile sempre que eu puder.

Quero voar a vida inteira!

 
Danuza decolando de
Governador Valadares
Danuza voando em Florianópolis