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Fábio Mansur, o Fabião

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Fábio em vôo
       



O Fabião mora e trabalha em São Paulo. É formado em publicidade e propaganda pela FAAP-SP. Está com 33 anos e começou a voar em 2001. É casado com a Alessandra.

Desde os 5 anos de idade pratica jiu-jitsu por influência do avô, o Mestre Otávio de Almeida, e do seu tio. Em paralelo, praticava natação no Clube Pinheiros. Já jogou futebol amador, volei e tênis. Por estar sempre envolvido no mundo dos esportes, cresceu aprendendo que sempre deve cuidar do corpo e da mente para estar preparado para a conquista dos objetivos.

Não fuma, bebe apenas socialmente e fica longe das drogas. Disse-nos que o esporte foi e continua sendo a grande paixão e estilo de sua vida.

 

O Fabião é um dos assíduos hóspedes da pousada e respondeu algumas perguntas para nós.

O que motivou a iniciar a prática do esporte?
Sempre fui apaixonado por tudo que voa e também por altura. Quando tinha uns 10 anos, morava no Campo Belo e nossa área de serviço oferecia um lindo visual da pista do aeroporto de Congonhas. Ficava horas e horas em cima da máquina de lavar vendo pousos e decolagens. Lembro também, que quando morei no interior, entre 12 e 18 anos, colocava um capacete e escalava a antena de televisão para apreciar o visual lá de cima.
Tinha muita vontade de ser um piloto de avião. Fui paraquedista também e, certa vez, vi uma matéria sobre parapente e interessei-me. Entrei em contato com algumas escolas, convoquei meu cunhado e um grande amigo e nos aventuramos numa aula teste no morrote de Franco da Rocha. Aí fui picado pelo bicho do vôo e não achei mais a cura. Ainda bem!

Você tem algum história, do início da prática, que tenha sido pitoresca?
Sim, e quem não tem?!
Lembro que estava "formado" e frequentava sempre o morrote de Franco da Rocha para treinar inflagens. Certo dia fui até lá com o Adalberto, meu cunhado e meu camarada Rubens, que fêz o curso também. O vento estava forte e aproveitei a oportunidade para treinar. Uma vez vi um maluco decolando deitado e tive vontade de tentar também. Coisa de preá. Preparei-me como numa decolagem alpina, deitei-me e pedi para o Rubens fazer um lastro. -Não me solte porque tá forte!. Comandei a vela, que subiu perfeitamente à cabeça e rapidamente estava pendurado com o auxílo do Rubens. Foi aí que escutei: Fabião, tá voando, manda bala e, eu fui liberado.
Resultado: voei lateralmente a 1 metro do chão, por uns 200 mts. A vela não penetrava e fui parar nuns arbustos como o Super Man, com um braço esticado à frente e um paraca embolado nos gravetos. Sofri apenas alguns arranhões e um ataque de risos, acho que era de nervoso. Meus muy amigos camaradas vieram correndo, preocupados, mas não seguraram as risadas.

Quais equipamentos já pilotou?
Um Pro Design-Pro Feel , um Cyclone da SOL e um Eclipse da SOL, desde agosto/03 e atual parapente, que gosto muito.

Como foi sua trajetória no vôo?
Virei um fanático de carteirinha. Após a formatura em São Vicente (meu instrutor foi o Júlio Esteves e durante o primeiro vôo contei com o auxílio dos camaradas Marcos Tavares na rampa e do Reginaldo na navegação para o pouso), comecei a voar por lá, pelos amigos que fiz, pelo vôo bacana e pelo visual. Várias vezes saí do escritório durante o horário do almoço para fazer um liftão e voltar com um sorriso estampado no rosto. Voei um pouco em Atibaia, lugar maravilhoso e depois conheci Andradas e fiquei impressionado com a rampa e a organização do clube. Para agravar a situação, lembro que o primeiro vôo que fiz por lá, com meu Pro-Feel, cheguei a 1.000 mts acima da rampa e fiquei maluco! Daí em diante passei a freqüentar regularmente o Pico do Gavião, ao qual sou associado desde 2002. Sempre dediquei-me muito às horas de vôo. Além da paixão, acho que a freqüência é um fator determinante para evolução no esporte. Voando sempre, você fica cada vez mais íntimo e parceiro do seu equipamento, tirando o melhor rendimento dele, além de aumentar o nível de segurança.

Como e quando iniciaram os vôos cross?
Quando participei pela primeira vez de campeonatos e voava de Cyclone. Foi no Open em Valadares, no carnaval de 2003. Lembro que foram 4 dias seguidos de tiradas. Que felicidade!

Já participou de competições?
Participei de algumas competições objetivando o aprendizado e a evolução no vôo:
Open em Valadares de 2003, 2 etapas do CBP - Valadares e Cambuquira e eventos menores. Novamente o Open em Valadares em 2004 e 1ª etapa do brasileiro também em Valadares.

Quais os locais que gosta de voar?
Já voei em São Pedro, Atibaia, Valadares, Cambuí, Itajaí, Guarujá, São Vicente e etc., mas tenho um carinho especial pelo Pico do Gavião em Andradas. Além do local, da condição, dos amigos, da rampa e da estrutura do clube, liderada pelos camaradas Max e Simone, que têm um verdadeiro amor pelo Pico, podemos voar e aprender com pilotos excelentes. Lá aprende-se muito! É um privilégio poder voar com o Fabinho, o Mestre Sivuca, o Mestre Kurt, a galera dos boomeras (Dio, Wash, Pardal, Moa, Cruz, Kidô, Adnar), o Césão, Jair, Paulinho, Borzino, contando com a companhia do Dino, Wagnão Careca, Marquinhos, Genérico, Xuxa, Shao, Marquinhos, Lisinho, Viviane, Ricardo, Alê, Mexicano, Alexis, Didier, Renatão, Klaus, Paulão, Gérsão, Décio, Cesário e tantos outros. Não dá para falar de todos.

O que mais você gosta no vôo livre?
Da paixão pelo esporte. Não é muito bacana ver aquele sorriso estampado na cara daquele voador que está subindo a rampa ou que acabou de pousar?

Quais são seus planos para o esporte?
Pretendo dedicar-me cada vez mais ao esporte. Isso incluirá, como sempre, horas de vôo, determinação e paixão. Gosto muito de participar de cursos e de leituras sobre o vôo livre. Neste ano fiz o curso com o camarada Frank Brown, aprendi muito e também li várias vezes o livro do Kurt, que é fantástico.
Desde pequeno estou envolvido em competições, faz parte do meu perfil e com o parapente não é diferente. Pretendo participar dos campeonatos em 2005. Voar um parapente de competição será conseqüência de um bom trabalho. Virá naturalmente, na hora certa.

Fale dos amigos, da esposa, e de como seus pais e familiares encaram o esporte.
A família é a base de todo desenvolvimento. Meus pais, Camilo e Ivany e meus 04 irmãos são sensacionais.
Minha esposa, a Alessandra é um caso à parte, tenho loucura por ela. Minha grande incentivadora e parceira, não só no esporte, mas em todos os momentos da minha vida. Não é média não, hein!
É natural que todos se preocupem por se tratar de um esporte de risco, mas todos me dão a maior força porque sabem o quanto é importante para mim. Meu cunhado, o Adalberto, o Rubens e Dalberto, que além de voadores, são grandes incentivadores.
Graças a Deus, tenho a sorte de ter muitos e bons amigos. De um tempo pra cá, como não poderia deixar de ser, meus amigos mais próximos fazem parte do mundo do vôo livre. Além de toda a galera do Pico do Gavião e da turma, que vem de fora, para voar por lá, destaco as amizades criadas na Pousada Pico do Gavião, aliás, minha casa em Andradas. Sem falar dos proprietários Eliana, Césão e filharada, dona Cida, seu Osvaldo e a galera do staff, todos são nota 1.000. Destaque também ao Césão, que além de ser um ótimo voador, é um dos caras que mais me estimula a voar.

Conte alguma estória de alguma roubada ou de algo divertido que lhe tenha acontecido ou seja marcante.
Certa vez estava andando com o paraca nas costas, próximo à rampa leste de São Pedro, e topei com uma vaquinha no mínimo estranha. Levantei os braços para ela sair do meio do caminho e fui presenteado com uma bela investida. Foi cômico ver aquele bobão correndo com 20kg nas costas, esperando uma chifrada certeira. Quando percebi, um bezerrinho passou por mim e entrou num pasto. A vaca foi atrás e entrou de cabeça numa cerca. Instinto materno é assim mesmo, mas os camaradas que presenciaram a cena estavam sentados de tanto rir.
Tenho outras experiências com as famílias bovinas dos pastos afora.

Já pensou, em algum momento, em parar de voar?
Não! Fico muito chato quando não posso voar! Ninguém me agüenta. O que acontece muito, é aquele momento de reflexão quando rola algum acidente ou incidente. Quem voa de parapente está exposto a riscos. Temos que ter consciência disso e procurar administrar e nos aperfeiçoar da melhor maneira possível.

Para mim, voar tem que ser sempre uma grande diversão.

       
    Fábio e Alê, sua esposa