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Kamira Rodrigues é a nossa representante feminina no Mundial de Parapente.

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Kamira
      

A Kamira começou a voar de parapente com 15 anos de idade, em 1995, quando soube que seu pai tinha iniciado no esporte. Apesar de sua pouca idade, já acumula quase 10 anos de experiência.

Seu grande sonho desde pequena foi voar como os pássaros. Hoje realiza seu sonho, mas ainda tem grandes objetivos com o esporte.

Sua paixão são as grandes tiradas e as competições. É a atual campeã brasileira e a representante feminina no campeonato mundial de parapente a ser realizado em março em Valadares.

Já participou de dois SIVs e foi a primeira mulher a realizar um SAT nas manobras.

A Kamira é uma amiga e freqüentadora da pousada e respondeu algumas perguntas para nós.


Onde você mora?
Essa é uma pergunta complicada. Eu morei até o ano passado em Campinas onde fazia faculdade, vim pro Rio no inicio de 2004, mas fiquei praticamente só voando até agora, quase não paro no Rio e este ano estou querendo começar a trabalhar fora do Rio, em algum lugar mais perto de vôo (sul de Minas, norte de São Paulo).

O que a motivou praticar o esporte?
Eu sempre quis voar. Desde que me entendo por gente sonhava que estava voando. As vezes acordava de um sonho desses tão real que tinha certeza absoluta de que podia voar e ficava tristíssima quando via que era só sonho.

Eu morei um tempo na Dinamarca com a minha mãe e quando voltei meu pai já voava de parapente há 6 meses. Eu não sabia e fiquei louca quando vi as fotos, comecei o curso no dia seguinte.

Qual a importância do esporte em sua vida?
Voar é parte de mim, é uma coisa que vou fazer pra sempre, eu preciso voar! É claro que tem fases. Hoje, estou me dedicando ao máximo a isso e daqui a pouco vêm outras prioridades, mas vou sempre voar.

Você tem alguma estória pitoresca?
Eu parei um tempo de voar entre 99 e 2003. Voava bem pouco e em fevereiro de 2003 eu fui pra Iquique com meu pai. Foi aí que voltei a voar mesmo. Bom, eu estava lá com meu paraquinha velho, um Axion, e queria fazer o vôo de Alto Hospícios pra Cavancha. É como se fosse o Rio, com a cidade entre o mar e a montanha, e pra pousar nessa praia a gente tem que atravessar boa parte da cidade. Só que eu resolvi atravessar meio baixo e uma hora vi que não ia passar de uns fios que tem logo antes da praia. Daí tive que escolher um telhado de uma das casas da cidade pra pousar! Era uma laje e pousei super bem, mas dei o maior susto no pessoal da casa e no meu pai que estava me vendo da praia.

Quais são os locais de vôo de sua preferência?
Andradas acho que vai ser sempre meu lugar preferido. Por tudo, por eu ter aprendido a voar realmente lá, pelos amigos, pelo clima na rampa que é sempre muito legal, pela rampa em si (é a melhor estrutura que já vi numa rampa) e pelo vôo, claro. Mas também gosto muito de Araxá, que é muito parecida com o Gavião na estrutura e no astral da rampa, mas que tem um vôo mais forte e com tiradas muitas vezes pro meio do nada (ao contrario da região de Andradas que quase não tem roubada) o que eu acho muito legal também. E tem o Rio, que às vezes dá um vôo incrível, maravilhoso, eu já pousei chorando de um vôo no Rio.

O mais você gosta no vôo livre?
Gosto muito da idéia de encontrar pessoas tão diferentes, mas que são unidas por essa mesma vontade ou necessidade de voar. De sermos quase uma tribo, comunidade, sei lá, que nos permite, por exemplo, viajar e fazer contato com o voador local, uma pessoa totalmente estranha, mas que vai falar contigo e vai te ajudar porque voa como você. Isso não só no Brasil, mas no mundo todo.

Quais são os tipos de vôos de sua preferência?
Cross é com certeza o tipo de vôo que mais gosto. A idéia de poder sair de um lugar e ir parar onde for, onde a condição acabar, onde você quiser... eu adoro isso. Não tenho muita paciência pra vôo local e gosto muito de acro também, de ver pelo menos. Queria aprender a fazer umas manobrinhas.

Quais equipamentos já pilotou?
Meu primeiro parapente foi um Balance, de quando a Sol ainda era Fun Gliders; depois peguei um Axion da Sol também e fiquei com ele até 2003; aí voei 1 ano de Vulcan, da Ozone; e agora estou há 1 ano com o Eclipse da Sol.

Como foi sua trajetória no vôo?
Eu voei bastante até 99, mas não fazia muito cross, eram vôos mais locais, no Rio, em Petrópolis, Sumidouro. Depois entrei para faculdade, fui fazer curso de piloto privado de avião e parei de voar com tanta freqüência. Voltei mesmo em 2003. Eu morava em Campinas e passei a voar em Andradas nos fins de semana, foi quando comecei a voar cross e a melhorar no vôo, em análise de condição, etc. Nesse ano fiz também dois SIVs que me ajudaram bastante e comecei a participar de competições que me ensinaram muito!

Fale das competições.
Desde que voltei a voar tenho participado bastante de competições: brasileiro, sul brasileiro etc. Acho que é um ótimo lugar pra se aprender, não só porque a gente passa a voar com pilotos melhores que a gente, e isso é sempre bom, mas porque se encontra pessoas que de outra forma não se encontraria e daí outras formas de voar, de ler o céu, de pilotar. É um lugar pra se trocar experiência e idéias, onde se testa os seus próprios limites e até os do lugar em que se está.

Quais são seus planos para o esporte.
O vôo passou a ser uma prioridade pra mim. Este ano o Mundial é prioridade, até o fim de março só consigo pensar em vôo. Vai ser maravilhoso voar com aquele povo todo, são 47 países inscritos. Vamos voar com umas lendas do vôo livre e vai ser muito bom.

Acho que a gente tem grandes chances de vencer o individual com o Frank e os outros meninos também não ficarão atrás. E eu e July temos que fazer o possível para não facilitar para as estrangeiras. Eu vou voar de Eclipse, ainda fiquei na dúvida se mudava para o Dinamic, mas acho que ainda não é a hora, preciso voar mais. De qualquer maneira vou fazer meu melhor.

Tenho voando bastante e vou chegar em GV duas semanas antes pra já ir me familiarizando com as termaizinhas de lá. Este ano não vou poder voar com a freqüência que tenho voado, mas quero continuar voando bem todo final de semana, pelo menos, e competindo também. Pra isso estou até querendo sair do Rio e ficar mais perto de um lugar bom de vôo.

 

No podium
               
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